domingo, 31 de outubro de 2010

Um dia na vida de Anne Frank

"                                                                                       Sábado, 3 de outubro de 1942
Querida Kitty,

      Todo mundo zombou um bocado de mim ontem porque me deitei na cama junto do Sr. van Daan. "Na sua idade! Chocante!", e outros comentários do tipo. Besteira, claro. Eu nunca quereria dormir com o Sr. van Daan do jeito que eles insinuavam.
      Ontem, mamãe e eu tivemos outra briga, e ela realmente armou o maior escâncalo. Contou todos os meus pecados a papai e começou a chorar, o que me fez chorar também, e eu já estava com uma tremenda dor de cabeça. Até que enfim contei a papai que gosto mais dele que de mamãe, e ele respondeu que era só uma fase passageira, mas não acredito. Simplesmente não suporto mamãe, e tenho de fazer força para não gritar com ela o tempo todo e para ficar calma quando tenho vontade de lhe dar um tapa na cara. Não sei por que criei uma aversão tão grande por ela. Papai diz que, se mamãe não estiver bem, ou estiver com dor de cabeça, eu deveria me oferecer para ajudar, mas não faço isso porque não a amo e não gosto de fazer. Consigo imaginar mamãe morrendo algum dia, mas a morte do papai me parece inconcebível. É muita ruindade minha, mas é assim que me sinto. Espero que mamãe nunca leia isso ou qualquer outra coisa que escrevi.
      Ultimamente estão deixando eu ler mais livos de adultos. Eva´s jeudg, de Nico van Suchtelen, está me ocupando no momento. Não acho que haja muita diferença entre este livro e os livros para adolescentes. Eva achava que as crianças cresciam em árvores, como maçãs, e que a cegonha as arrancava da árvore quando estavam maduras e levava para as mães. Mas a gata de sua amiga teve gatinhos e Eva observou quando eles saíram da gata, por isso pensou que as gatas punham ovos e os chocavam como galinhas, e que as mães que queriam filhos também subiam para o quarto, alguns dias antes de ter o nenêm, para pôr um ovo e chocá-lo. Depois que os bebês chegavam, as mães estavam fracas de tanto ficar agachadas. Num determinado ponto, Eva também queria um bebê. Ela pegou um xale de lã e estendeu-o no chão para que o ovo pudesse cair nele, e então se agachou em cima e começou a fazer força. Ela olhava enquanto esperava, mas não saiu nenhum ovo. Finalmente, depois de ficar sentada durante muito tempo, saiu uma coisa, mas era uma salsicha, e não um ovo. Eva ficou envergonhada. Pensou que estava doente. Engraçado, não é? Também há umas partes em Eva´s jeugd que falam de mulheres que vendem os corpos nas ruas e pedem muito dinheiro. Eu ficaria envergonhadíssima diante de um homem dessa maneira. Além disso, o livro fala da menstruação de Eva. Ah, estou louca para chegarem minhas regras - finalmente serei adulta. 
      Papai anda de cara amarrada de novo e ameaçando pegar meu diário. Horror dos horrores! De agora em diante, vou ter de escondê-lo.

                                                                                                                Anne Frank."


FRANK, Otto H.; PRESSLER, Mirjam. O Diário de Anne Frank. 4ª edição. Rio de Janeiro: BestBolso. 2008.

*Anne Frank nasceu em 12 de junho de 1929. Morreu aprisionada no campo de concentração Bergen-Belsen, 3 meses antes de completar 16 anos.


Nesse Halloween, a eleição de uma bruxa.
Bom domingo.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

O nome dele é Jason Decaires Taylor.

E ele construiu um museu no fundo do mar.
O ser humano desde sempre vem intervendo na natureza, destruindo o meio ambiente e comprometendo ecossistemas. As obras de Jason mostram a interação da natureza sobre o homem, através das suas escultura de gesso expostas no fundo dos mares de Cancún, transformando-as em recifes artificiais.

Os ecossistemas com o tempo agem sobre o homem e mostram o poder da natureza sobre o planeta.
Sensacional. Lindo. Maravilhoso. Emocionante.
De ficar retardado!







Saiu até uma matéria sobre ele na Revista Zupi, Ano 05, Edição 17.
Aqui você vê o site com todas as obras dele.
E o vídeo, que não pude deixar aqui para vocês, é o The Silent Evolution.

Vale muito a pena ficar uns minutinhos conhecendo esse artista e suas obras.
Fica a dica ;)

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Um pouco de domingo

"OI. AI. NÃO HÁ SALVAÇÃO.

Não tô a fim de escrever crônica, não. Tô a fim de quimeras. Na vida e no texto. Então é isto aqui: eu mesma, lindo palimpsesto:

     Calma, calma, também tudo não é assim escuridão e morte. Calma. Não é assim? Uma vez um menino foi colher crisântemos perto da fonte numa manhã de sol. Crisântemos? É, esses polpudos amarelos. Perto da fonte havia um rio escuro, dentro do rio havia um bicho medonho. Aí o menino viu um crisântemo partido, falou, ai, o pobrezinho está se quebrando todo, ai, caiu dentro da fonte, ai, vai andando pro rio, ai ai ai, caiu no rio, eu vou rezar, ele vem até a margem, aí eu pego ele. Acontece que o bicho medonho estava espiando e pensou, oi, o menininho vai pegar o crisântemo, oi, que bom, vai cair dentro da fonte, oi, ainda não caiu, oi, vem andando pela margem do rio, oi, que bom, vou matar a minha fome, oi, é agora, eu vou rezar e o menininho vem pra minha boca. Oi, veio. Mastigo, mastigo. Mas pensa, se você é o bicho-medonho, você tem que esperar menininhos nas margens dos teus rios e devorá-los, se você é o crisântemos polpudo e amarelo, você só pode esperar ser colhido, se você é o menininho, você tem que sempre ir à procura do crisântemo e correr o risco. De ser devorado. Oi ai. Não há salvação. Calma, vai chupando teu pirulito. Eu queria ser filha de um tubo. No dia dos pais, eu comprava uma fita vermelha, dava um laço no tubo e diria: meu tubo, você é bom porque você não me encomoda, você é bom porque é apenas um tubo e eu posso olhar pra você bem descansado, eu posso urinar minha urina cristalina dentro de ti e repetir como um possesso: meu tubo, meu querido tubo, eu posso até enfiar você lá dentro que você não vai dizer nada. As doces, primaveris, encantadoras manhãs do campo. As ervinhas, as graminhas, os carrapichos e sob o sol doirado. Meu filho, não seja assim, fale um pouco comigo, eu quero tanto que você fale comigo, você vê, meu filho, eu preciso escrever, eu só sei escrever as coisas de dentro, e essas coisas de dentro são complicadíssimas, mas são...são coisas de dentro. E aí vem o cornudo e diz: como é que é, meu velho, anda logo, não começa a fantasiar; não começa a escrever o de dentro das planícies que isso não interessa nada, você agora vai ficar riquinho e obedecer; não invente problemas. Empurro a boca pra dentro da boca, chupo o pirulito e choramingo: capitão, por favor; me deixe usar a murça de arminho com capa carmesim, me deixa usar a manteleta roxa com alamares, me deixa, me deixa, me deixa escrever com dignidade. O quê? Ficou louco outra vez? E o teu filho não tá com encefalite? Toma, toma quinhentos cruzeiros novos e, se não tá com inspiração, vai por mim, pega essa tua folha luminosa e escreve aí no meio da folha aquela palavra às avessas. Uc? Não seja idiota, essa é a primeira possibilidade, invente novas possibilidades em torno do. Amanhã eu pego o primeiro capítulo, tá? Engulo o pirulito. Ele me olha e diz: você engoliu o pirulito. Eu digo: não faz mal, o uc é saída pra tudo. Está bem. Ele sai peidando no belíssimo pátio de pedras perfeitas e grita: amanhã, heim? Sorrio.

E hoje como é domingo, vão comendo seus joelhinhos de porco.
                                                                                         (domingo, 18 de junho de 1994)"

HILST, Hilda. Cascos & Carícias & Outras Crônicas. Editora Globo S.A. 2007.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Verso do desamado


Quem ama, não desama. O pai, o filho, o marido, o vizinho.
O amor não tem parentesco.
Ou é, ou não é.

O amor não cresce de tamanho.
Nem diminui. 
Ou é, ou não é.

O amor não conhece, reconhece. O amor não ensina, desaprende. O amor, em todas as suas derivações, não tem significado.
Ou é, ou não é.

Não tem cor,
tamanho,
nem tempo.
Nem preço.
Ou é, ou não é.

Geralmente não é.

Amor enfraquece. Mata. Não regenera.
Destrói. O amor regride.
A pessoa.
Por que amor não diminui.

Os que sobreviveram a ele - aqueles poucos - dizem: Eu não amo mais.

domingo, 17 de outubro de 2010

A sexta, o sábado e o domingo

19:06 - 15/10.
-Tchau, Aninha. Obrigada pela carona.
1 hora atrasado, o avião da Gol Varig - que não é Gol, é Gol Varig, mas que não importa por que tudo é a mesma m**** - me leva para São Paulo.
Mais 50 minutos de espera do ônibus GUARULHOS-CONGONHAS e R$ 40,00 de táxi para o encontro com a cama, do Hostel.

No táxi:

-Blá blá blá Dilma, blá blá blá.
- Essa muié é doida. Vai botá fogo em nóis. Vai queimá nois vivo.
- Vai não.
"São seis horas. é hora de acordar."
WTF? DESPERTADORRRRRRRRRRRRRRRRR.
É muito cedo.
"São seis horas e dez minutos. É hora de acordar."
Mais alguns sonecas depois, o dono do telezumbie descobre que o despertador funciona.

Márcio Scavone e a foto da Fernanda.












Luli Radfahrer: "..Cannes pra publicitário playba...".
Cisma. Cismei.
Dan Goldman e seu tênis prateado.
















Uma volta na Paulista e gosto de São Paulo. Na terra da garoa, uma chuva para refrescar o calor. Há tempos não tomava chuva para refrescar o calor.
Florentin Hofman, o cara do pato de borracha e do macaco gordo.

BOBBY CHIU E KEI ACEDERA. Ela desenhando ao vivo e em cinza. E ele, um guri, que de merda não tem nada! Absolutamente.


Um sucesso. Descobertas. E acreditando que a gente precisa é sonhar longe. Por que se não chegar lá, mas chegar perto, já é mais longe do que quando a gente só pensa em chegar em algum lugar, alí ó.

Esfiha Chic pra janta. Ressaca de sono.
Operação Resgate pra retirar os óculos do meu rosto. Sem me acordar. Nada difícil, aviso.

No outro dia, nesse mesmo dia de hoje, domingo, Jason Manley, Dimitre, Felipe "Fálico" Bedoya, e mais uma volta pela Paulista. Agora com direito a almoço no Shopping Center 3e a feirinha, feira de antiguidades do Masp, Macaco Gordo, yougurte congelado, compras e leituras na Livrarias Cultura. Ganhei um cartão!

Felipe Bedoya

O avião na volta, um aí da Gol Varig, não atrasou. E cheguei em Curitiba EXATAMENTE no horário previsto.
E Curitiba me esperava. Chuvosa. Nublada. 13 graus.
Como eu já a esperava.


E no dia de domingo a partir da próxima semana, transcreverei alguns escritores que gosto.
Um domingo sabático.
Há, pegou?


Não perca:
http://www.pixelshow.com.br/
http://www.zupi.com.br/
E o resto é isso. Dentro disso.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Cadbury for the good times

Todo mundo lembra da Cadbury, não pelo sabor do chocolate, mas pelos vídeos do gorila tocando Phil Collins e os dois pirralhos piscando que nem doidos.
Agora com o novo comercial para seus "Cadbury Fingers", a Cadbury dá vida aos dedinhos e transforma o momento com eles uma grande festa.
O diretor é Simon Willows.


video
 

Nunca diga não ao panda

Um panda.
Um queijo.
Diferentes histórias.


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Esse é o panda mais legal que eu conheço.
Alguém já viu coisa parecida?
Mesmo furioso, ele continua uma graça.

Os comercias foram desenvolvidos pela agência Advantage Marketing & Advertising Cairo, do Egito.
Esses comerciai receberam um Leão de Prata no Cannes Lions 2010 e já somam mais de 1 milhão de views no youtube.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Really?

Nova campanha da Microsoft para seu Windows Phone 7, concorrente do Ipod e Blackberry, criada pela Crispin, Porter + Bogusky.
Serão veiculados 8 comerciais, na Europa e EUA.

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Os outros vocês podem conferir aqui. 

Opinião? Iphone é mais tentador.

Até mais.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

A festa da "putrefatocracia"

E a festa continua. Dilma e José Serra se enfrentam por mais um mês, os dois lutando por um pouco de atenção da Marina Silva, que foi a verdadeira vencedora das eleições 2010.
Correntes tucanas dizem que toda a campanha da Marina foi uma estratégia do PT para arrecadar votos à Dilma no segundo turno, e as Estrela de Fogo dizem que foi coisa da oposição, para dar uma chance ao Serra.
Gregos e troianos que se matem! Foi só a Marina, com uma estratégia chupada do Obama e muito preparo. Ponto para o PV!

E no Maranhão, aquela lá, a da família famosa, que até tentou ser presidente. Pobre Brasil, política sem critérios. Tá parecendo professor de faculdade dando nota final!

A maior prova de que eu tinha um nariz vermelho na cara quando fui votar, foi os 1,35 milhões de chipanzés que votaram no Tiririca (2º deputado federal mais votado da história), nele e em sua corja de deputados, vindo de uns encândalos básicos, com os quais já estamos acostumados, como Mensalão, Sanguessugas, Castelo de Areia, propinas...Viva Valdemar Costa Neto.

Anthony Garotinho, aquele que fez greve de fome e ainda continua gordo, foi eleito Deputado Federal no Rio.

Curitiba segue sob o poder tucano do Beto Richa, que eu já nem sei dizer se é bom ou é ruim.





Que seja, então.